Estranhas - Espetáculo de Teatro em ambiente virtual.

Por Moisez Vasconcellos

Escrita sobre o processo de

criação da iluminação e vídeo projeção

para espetáculo teatral filmado, editado

e publicado em formato de vídeo.





O telefone toca. Atendo. Do outro lado uma voz feminina pergunta. Moisés? Respondo: sim! Do outro lado a voz continua. Oi você não me conhece sou atriz e estou fazendo um projeto de um espetáculo. O diretor que é o Jonathan Andrade indicou você para fazer a luz. Você topa? Ainda estamos na faze de escrita do projeto e envio para aprovação em um edital da FUNARTE. Pergunto: Você pode me dar mais informações? Como vamos produzir um espetáculo em plena pandemia? A voz do outro lado firme e convicta me diz: será um espetáculo gravado. Vamos montar e gravar o espetáculo. Não vai ser ao vivo. O resultado da gravação é que vai ser disponibilizado para o público assistir. Aliás você teria alguém para indicar para fazer essa captação de vídeo? Respondo que sim e continuo. Você pode me mandar o texto? A voz me diz meio vacilante. Não temos texto, temos um argumento, um tema, uma ideia e vamos desenvolver a dramaturgia junto com o diretor. O tema era as relações físicas/virtuais e emocionais entre duas mulheres durante o isolamento social. Este tipo de processo eu já experimentei com o Jonathan em outros espetáculos, então disse: tudo bem! A voz continua. Há tem um detalhe, vamos ter um cenário que está sendo desenvolvido pela cenógrafa Mônica Nassar. Você pode me passar um orçamento para seu trabalho? Respondo: Olha eu preciso pensar pois são muitas variantes. Temos Luz e projeção para um registro em vídeo. Algumas horas depois, retornei à ligação colocando alguns valores aproximados para execução da iluminação, vídeo maping e registro em vídeo. Do outro lado da linha a atriz Beta Rangel agradeceu minha disponibilidade e me avisou que estaria enviando o projeto para aprovação. Esta conversa foi realiza em abril de 2020.

O tempo passou, a pandemia se agravou e as expectativas de se realizar qualquer trabalho, mesmo sem espectadores se tornou nula e arriscada. Durante os meses que se passaram até a analise do projeto e sua aprovação, nós artistas, observamos o desmonte do aparato público cultural, principalmente a nível federal. O ministério da cultura se tornou uma secretaria gerida por uma pessoa que se diz artista, mas sem nenhuma capacidade e integridade de ocupar este cargo de tão grande importância para o desenvolvimento da arte a da cultura de nosso país. O presidente da nação com um projeto definido de acabar com qualquer tipo de apoio aos artistas e técnicos, colocando em cargos estratégicos de gerencia pessoas desqualificadas que afirmavam e validavam um discurso de ódio chegando ao ponto de reverenciar o fascismo em seu pior exemplo. A supremacia branca de Aldolf Hitler e seus seguidores genocidas.


CONTEXTO HISTÓRICO.


Diante deste quadro de total descaso por parte do governo Federal e Distrital, e ciente da política pública nacional de desmonte dos aparatos culturais públicos, visando a aniquilação dos artistas e técnicos deste país, nuca imaginei que oito meses depois receberia uma ligação da Beta avisando que o projeto tinha sido aprovado e que iriamos começar os ensaios. Ensaios? Começar? Projeto? Como?

Aqui começa um novo momento em minha trajetória como artista. Um momento em que o isolamento social se torna um novo elemento que nos impõem diversos obstáculos que devem ser ultrapassados. O primeiro deles é o afastamento. Estar junto, no mesmo ambiente, com a equipe de criação é um fator importante para estimular e alimentar as ideias criativas. Este aspecto tão primordial para o teatro estaria descartado, dando espaço a um ambiente de encontro virtual. O segundo aspecto era o espaço de ensaio, este não era mais uma sala ou mesmo um teatro, e sim a tela de um computador com janelas quadradas onde cada um se expressava e poderia ver a expressão do outro. O espaço de ensio não era comum a todos e sim cada um habitava um espaço. O seu espaço. O terceiro aspecto seria a interação entre a equipe de criação. Este ato é por excelência a base do desenvolvimento do trabalho do diretor com os atores, principalmente quando realizamos a construção da dramaturgia. Esse espaço não foi comprometido e sim recriado.

Este é o contexto em que vivemos, aprendemos a nos reinventarmos nas nossas relações com a família, os amigos, amores e trabalho. Neste contexto completamente caótico nada mais pertinente que se jogar no caos e organiza-lo para trazer a luz. E é sobre luz que vamos falar neste texto.


LUZ E VÍDEO PROJEÇÃO – A MISTURA DE LINGUAGENS E SUA FORMAÇÃO VISUAL.


Segundo Marcio (2021) no processo de criação temos três fatores cruciais. Primeiras ideias ou inspiração, expressão das ideias e a apresentação para o público.

(Libar, Marcio. 2021. Entrevista sobre criação realizada no canal Luz em Movimento https://www.youtube.com/watch?v=AM3zR6SOvXw&list=PLHZfYWFjijQDIUS9YoO3GZAAZQv4vUJ3o&index=2)


As primeiras ideias que surgiram na minha cabeça foram as imagens projetadas no cenário, dialogando com a atriz em cena. Em princípio teríamos apenas uma tela ao fundo onde seriam projetadas imagens em vídeo gravado e editado da atriz que estaria em outro lugar. Nesta tela também estariam projetadas imagens abstratas como fumaça, chuva, luz do sol. Para isso eu precisava de um banco de imagens que se dividia em duas partes. O primeiro banco de imagens seria só com as imagens gravadas da atriz que não estaria presente. O segundo banco de imagens seria com as imagens abstratas. Com estas imagens eu teria que fazer uma operação extremamente sincronizada com a atriz presente no palco. Durante os ensaios virtuais com as atrizes o diretor e a cenógrafa algumas imagens gravadas foram sendo produzidas, de acordo com a dramaturgia que está sendo construída. Estas imagens eram enviadas para mim.

Durante o processo de ensaios, observando a dinâmica das atrizes em cena no ambiente virtual, via plataforma do zoom, percebi que seria quase impossível fazer a sincronia com a atriz em cena. Não pelo fato de não ter uma deixa precisa para operacionalizar a sincronia, mas principalmente por conta dos silêncios estabelecidos entre as atrizes. Estes momentos de silêncio me chamaram atenção para o espaço que não tem texto, não tem fala, e sim a interpretação da fala e todas as suas intenções subjetivas. Esse espaço de tempo não poderia ser medido por mim, ele é orgânico e pertence ao tempo de interpretação das atrizes em tempo real. Neste momento o tempo real, ou seja, a cena desenvolvida pelas atrizes no ambiente virtual ao vivo, foi o meu argumento para propor para o grupo de criadores que a gente realizasse uma transmissão ao vivo durante a gravação do espetáculo no teatro. Isso traria para o espetáculo um pouco de organicidade, já que a atriz que estaria em outro país poderia estar presente virtualmente conosco no teatro.

A equipe topou o desafio. Diante disso eu me preocupei em garantir que a transmissão acontecesse sem muito atraso. A FUNARTE não possui internet no palco, eu teria que ter uma rede de internet para fazer a chamada ao vivo. Além disso teria que projetar a imagem da atriz que estria em outro país, diretamente na tela de projeção. Para executar essa operação eu escolhi o software de vídeo Resolume Arena.

Resolvida a questão de operação e diálogo sincronizado entre as atrizes comecei a pensar sobre a luz. Aqui entra um fator importante. Durante os ensaios a cenógrafa decidiu que ao invés de 1 tela teríamos 3 telas inclinadas, duas janelas, duas árvores e um tablado elevado com uma abertura no meio em forma de cubo que deveria ser iluminado. Este platô seria o palco da atriz que estaria no teatro.



Desenhos da cenógrafa Mônica Nassar. Brasília 2021.



Desenhos da cenógrafa Mônica Nassar. Brasília 2021.


Com base neste desenho comecei a responder as perguntas básicas para chegar conceito do desenho de luz. Onde? Quando? Como? e Porque? Estas perguntas sempre me vêm a mente quando me deparo com um projeto. Estas perguntas eu faço para o texto e para todos os elementos de cena que serão iluminados. Começando pelo texto/narrativa que estava sendo construído pelas atrizes e pelo diretor, acompanhando alguns ensaios, me fiz a seguinte pergunta: Onde se passa essa história? Percebi que precisava trazer para o espaço cênico uma luz que dialogasse com a luz real de um cômodo de uma casa. Porque? Porque a imagem que seria transmitida pela outra atriz seria uma luz artificial simples, mas própria para uma conversa via um aplicativo de vídeo chamada. Este espaço era o real. Inclusive ela tinha a luz real de Nova York em janeiro, uma luz que entrava por uma janela, a luz é típica do final do inverno naquele país, estação que produz uma luz linda de coloração amarelo ouro. Essa resposta do onde me colocou também outras questões. Existia um espaço de representação que não era o real, e sim um espaço onde eu teria a possibilidade de potencializar os sentimentos das atrizes através de imagens que iriam desde a projeção da tela de um aplicativo fictício, até o nascer e o por do sol em um lugar qualquer. Portanto eu tinha dois espaços o real e o espaço da ficção do subjetivo/imagético.

Quando? Essa era outra pergunta que me lançava mais luz as questões conceituais. Quando se passa essa história? A resposta é: Hoje, aqui e agora. Uma história baseada na experiência real de isolamento social somente vivida por essa geração. Uma geração que diferente de outras crises sanitárias mundiais, agora tinha uma ferramenta de comunicação tão potente que permite as pessoas se verem ao vivo em tempo real. O computador e todos os elementos que compõem a linguagem digital estavam presentes, e estes símbolos matérias e virtuais colocados no palco deixam claro que o período é o século XXI. A utilização do aplicativo de chamada por vídeo identifica o período específico de isolamento social onde esta ferramenta se popularizou e se tornou de grande utilidade na sociedade moderna. A imagem projetada nas telas não era somente a imagem da atriz que estava em NY, teríamos também alguns momentos onde a imagem da atriz que estava no teatro também seria projetada, e apara isso eu precisava de uma luz que fosse cênica e que executasse a função de iluminar para a captação da câmera do computador.


Como? Como eu poderia intercalar o espaço real e o subjetivo? Como a luz poderia definir estes espaços? Como a luz poderia ser funcional e artística? Como a luz poderia ser potente sem atrapalhar as projeções? Para isso eu precisava transferir os desenhos da cenografia para um ambiente virtual de 3D, onde eu colocasse a luz e experimentasse os ângulos, as intensidades, as formas e as cores. Neste momento solicitei uma reunião com a cenógrafa para definir com mais exatidão toda a cenografia. Para minha surpresa e admiração, Monica decidiu ampliar o espaço visual acrescentando mais duas telas nas laterais também inclinadas, produzindo um ambiente virtual muito maior que o real, ou vice versa. Estas telas seriam de um material que permitiria projeção e retroprojeção, ou seja, eu poderia explorar colocar luzes por de trás das telas, aspecto que seria importante para trazer a imagem de um lugar fictício, portanto não real. Nos reunimos algumas vezes até chegar as medidas necessárias para garantir uma boa projeção das imagens sem prejudicar a escala dos elementos cenográficos sugeridos no desenho da cenografia. Aspectos que dialogavam diretamente com a narrativa do texto.

O macro espaço ampliado pelas telas em contraponto com o micro espaço da tela do computador. O tudo e o nada.




Desenho final do cenário. Mônica Nassar. 2021



Desenho final do cenário. Mônica Nassar. 2021


De posse deste desenho final da cenografia, realizei a implementação no software 3D da console de iluminação Grand MA2. Assim além de realizar os testes, poderia já gravar as cenas de luz e vídeo do espetáculo.

Agora eu tinha além das informações de onde, quando e como. Eu tinha o desenho da cenografia e a relação de equipamentos de iluminação disponíveis no teatro. Mas isso não foi um limitador para minha criação pois eu contava com um aporte financeiro que me possibilitaria locar equipamentos de iluminação caso fosse necessário. Durante alguns dias entre a implementação da cenografia e a implementação das varas de luz existentes no teatro, percebi que tinha um fator muito importante. A posição das telas era fundamental tanto para o posicionamento do projetor, tanto para o posicionamento dos equipamentos de iluminação. Depois de posicionados os equipamentos de luz comecei a realizar testes neste ambiente virtual.



Foto 1. Teste em ambiente virtual 3D. Vista Frontal – ®Moisez Vasconcellos



Foto 2. Teste em ambiente virtual 3D. Vista Frontal. Contra luz e Laterais com refletor Elipsoidal Telem 25º/50º– ®Moisez Vasconcellos



Foto 3. Teste em ambiente virtual 3D. Vista Frontal. Contra luz com refletor PAR 64 #5 com filtro L46 e L 21 – ®Moisez Vasconcellos



Foto 4. Teste em ambiente virtual 3D. Vista Frontal. Refletor Giotto Spot 400, efeito de textura com Gobos e disco de cor na posição amarelo – ®Moisez Vasconcellos



Foto 5. Testes em ambiente virtual 3D. Vista Frontal. Recortes na borda do tablado central com refletor Elipsoidal Telem 25º/50º – ®Moisez Vasconcellos


DA TÉCNICA AO PROCESSO CRIATIVO EM ARTE – ASPECTOS FORMAIS DO DESENHO.

Tecnicamente este estudo serve para entender como as luzes se comportariam neste ambiente com 5 telas. Também possibilitaria explorar alguns estudos de composição propostos por Eli Sirlin em seu livro La Luz em el Teatro (Atuel 2005, Pg.73) como: posição, forma, cor, intensidades e texturas.

Buscando aproximar a forma da luz ao conceito de isolamento social, utilizei um recorte de luz criando uma borda no tablado onde estaria a atriz. Essa borda de luz ou moldura tenta trazer para o centro do espaço de atuação (espaço onde estaria a atriz) o escuro ou a penumbra a falta de luz direta. Com a forma bem definida em um recorte da luz eu busco proporcionar a imagem de isolamento. (Foto 5).

Ainda explorando as ferramentas da luz, e observando o aspecto da forma da luz, o mesmo tipo de luz recortada foi utilizado para trazer luz para todo o tablado, garantindo a boa visibilidade dos objetos e da atriz e manter a luz em uma forma bem definida de um quadrado (Foto 2). Este aspecto da luz cria uma o oposto da sensação de isolamento, ele preenche o espaço, trás brilho, nitidez e contastes bem definidos. Essa luz recortada permite que não sobrem luzes que possam atrapalhar a projeção de vídeo nas telas mais próximas ao tablado. Aumentando o contraste entre a cena que acontece no tablado e as imagens projetadas nas telas. (Foto 8)

As luzes que possuem filtros de coloração, são luzes que não possuem uma borda definida, portanto difusas, e tem a função de pincelar com cores o espaço do tablado e as telas de projeção criando um ambiente onírico. Um espaço de memória onde o real e o imaginário se encontram. As cores escolhidas foram o âmbar e o magenta. Segundo o estudo da percepção das cores descrito no livro Light Fantastic de Max Keller (Prestel, 2006 Pg. 42) na tabela descrita com diversos aspectos da percepção da cor, o âmbar tem um significado de alegria, relaxamento, paixão, revolução. No aspecto do plano psicológico nos remete a cordialidade, brilho, fortuna, fertilidade. Em uma associação geral a cor âmbar nos remete a um sentimento de uma atmosfera saudável, feliz, brilhante e alegre. Todos estes aspectos emocionais e psicológicos estão presentes na narrativa do espetáculo desde o início, onde as personagens se conhecem através das redes sociais, e permanece em um crescente no decorrer da narrativa dramática onde as personagens desenvolvem um afeto real no ambiente virtual.

A escolha da cor magenta, segue o mesmo significado da percepção das cores segundo os estudos de Max Keller. O magenta tem o significado de tensão, relutância, excitamento, modernidade. Em seu aspecto no plano psicológico nos remete a emancipação, vaidade, artificialidade, não objetivo, alta demanda e originalidade. Do ponto de vista das associações generalizadas a cor magenta nos leva a uma atmosfera sombria, duvidosa, não feliz, porém digna. Essa cor é aplicada da metade de espetáculo para o final, mesclando com o amarelo. Porém há um momento do espetáculo em que esta cor aparece com muita definição. O momento em que a atriz aparece abaixo do tablado dentro de uma parte do cenário que chamamos de cubo, ele representa as entranhas destas personagens estranhas. Neste momento a cor magenta é a cor destas entranhas onde a atriz está envolta (Foto 12). Estas escolhas estéticas foram pensadas e definidas em acordo com a direção e com a cenógrafa. Este ambiente de colaboração e debate sobre as escolhas das cores foi importantíssimo e vale ressaltar que o entrosamento entre as equipes que auxiliam na criação do espetáculo é fundamental e reflete diretamente no resultado do trabalho.

Outro aspecto importante na concepção da iluminação, foi a possibilidade de trabalhar com refletores robóticos, ou seja, Muving Ligths. Estes equipamentos possibilitaram que eu pudesse explorar dos aspectos das ferramentas de luz sugeridas por Eli Sirlin (Atuel, 2005 Pg.80). Forma e textura foram ferramentas da luz utilizadas para ajudar a produzir o aspecto visual do campo onírico e da ficção, da memória e da emoção materializada na ação. Para estes momentos pude utilizar os recursos de Gobos, Rotação de gobos, e mudar a temperatura de cor do tungstênio 2800k das lâmpadas incandescentes, para a temperatura de luz das lâmpadas de descarga de 4000 k. Estas ferramentas ajudaram muito a definir estes dois planos, o real e a ficção (Foto 9 e 10).

O resultado é um diálogo entra luz, cenografia, atuação e performer, transmissão de vídeo em tempo real, direção geral e fotografia pra cinema. Todos estes campos de atuação em arte, se juntaram no propósito de produzir um espetáculo teatral filmado para ser editado e vinculado por meio de plataformas digitais nas redes sociais. Este tipo de espetáculo foi a única forma de poder realizar arte em tempos de pandemia e isolamento social. E o mais interessante deste projeto é que esta mesma rede social em que o espetáculo será visualizado é o caminho onde se desenvolve a dramaturgia e ele está presente em 80% do espetáculo porque o diálogo entre as atrizes acontece ao vivo através de vídeo chamada.

Abaixo vamos ver algumas fotos do resultado deste trabalho e em seguida o mapa de luz que foi desenvolvido para possibilitar o desenho da iluminação.



Foto 6 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.


Foto 7 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021


Estranhas é uma experimentação cênico-virtual onde duas atrizes exploram potencialidades e meios de interação não-presenciais.


'Em um mundo distópico, de humanidades frágeis, duas presenças desafiam as possibilidades de conexão. A distância, os afetos, os corpos, os desejos, a companhia e a vida parecem reticências. No fundo, ninguém sabe o que está por vir. Amar pode ser um ruído.' (Jonathan Andrade, Brasília. 2021)



Foto 8 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.


O espetáculo, filmado durante o isolamento social do Covid-19, tem direção de Jonathan Andrade, cenografia de Monica Nassar, iluminação de Moisez Vasconcellos e interpretação de Beta Rangel e Renata Soares. A peça foi gravada com Renata ao vivo dos Estados Unidos.

O Projeto foi idealizado por Renata Soares, Monica Nassar e Beta Rangel a fim de estimular o teatro - em tempos pandêmicos - através de uma nova perspectiva tecnológica, explorando outras formas narrativas, com base na relação entre arte, virtualidade, comunicação e tecnologia.



Foto 9 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.



Foto 10 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.


A composição de vídeo projeção e luz foi realizada no local com a câmera de vídeo que filmaria o espetáculo na posição ideal e desenvolvendo um diálogo direto com o diretor de fotografia André Carvalheira e o diretor do espetáculo Jonathan Andrade.



Foto 11 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.



Foto 12 de Monica Nassar – Espetáculo Estranhas. FUNARTE janeiro de 2021.


Os vídeos incorporados ao espetáculo foram gravados e produzidos pelas atrizes e pela cenógrafa. Isso foi muito importante no processo pois toda a parte de criação de conteúdo que não seria projetado como transmissão ao vivo, já estava pronto e definido de acordo com um roteiro de cenas desenvolvido pelas atrizes e a direção do espetáculo. Roteiro muito bem decupado e milimetricamente organizado com um filme é produzido. Teatro ou cinema? Cinema ou Teatro? Uma junção destas duas linguagens?



Mapa de iluminação para o espetáculo Estranhas. Por Moisez Vasconcellos. FUNARTE 2021.


O mapa de Iluminação foi desenhado com o software VectorWorks 2020, e o console de luz escolhido para a execução da programação das luzes e dos vídeos assim como sua execução foi a Grand MA 2 OnPc com Fader wing. O servidor e gerenciador de vídeo utilizado para disparar os vídeos em sincronia com o console de iluminação foi um computador Macintosh G5 com uma placa de vídeo de 4 saídas Full HD e 8 entradas de vídeo SDI com o software Resolume Arena 7.0. Os projetores utilizados para projeção foram 01 projetor Panasonic de 10.000 ansilumens e 02 projetores Panasonic de 5.000 ansilumens. Os robóticos utilizados foram 04 Muving Light Giotto 400 Spot. O computador utilizado pela atriz em cena foi um Laptop MacBook Pro 13’.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Esta escrita tem como objeto, refletir os conceitos e aspectos formais do desenho de iluminação, propostas abordadas por estes dois artistas contemporâneos, Eli Sirlin e Max Keller, afim de estabelecer um estudo voltado para definir a luz como linguagem que ajuda a construir uma obra de arte.

Durante a escrita, me deparei com estudos como o significado da luz, a luz como linguagem, métodos de produção de um desenho de luz e as ferramentas da luz. Observei como Eli Sirlin e Max keller trazem para o universo da iluminação alguns aspectos formais do desenho das artes plásticas para a utilização no ambiente da iluminação cênica.

A articulação do pensamento em busca de entender as diversas manifestações da luz como obra de arte foi a proposta desta escrita, que busca refletir a luz como material físico e semântico, traduzido em uma manifestação artística que está em pleno desenvolvimento.

Esperamos, por fim, que este trabalho contribua como com o assunto a luz como obra de arte, ampliando esse o campo de conhecimento, como também abra novas possibilidades para a produção de textos que ampliem o tema no campo de conhecimento das artes visuais no nosso país.

Para realizar este incrível desafio foi necessário a contratação de diversos profissionais descritos nesta ficha técnica.


Direção Cênica: Jonathan Andrade

Iluminação e projeção: Moisés Vasconcelos

Atrizes: Renata Soares e Beta Rangel

Cenografia e Produção Executiva: Monica Nassar

Produção executiva: Renata Soares e Roberta Rangel

Cinegrafia e montagem: André Carvalheira (Xará)

Composição: Felipe Viegas

Cenotécnico: Erick Porto

Assistente de iluminação: Julia Maria

Técnico de montagem de iluminação: Edimar Agostinho

Técnico de vídeo projeção: Aníbal Diniz

Equipe de técnicos da FUNARTE Brasília: Francinaldo Jacaúna, Zizi Antunes, Pablo.

Assistente de cenografia e produção: Agda Couto

Acessibilidade: Apt7 Filmes

Produção: Espaço F/508 de Cultura

Patrocínio: Funarte


BIBLIOGRAFIA

Alves, Leonardo. Light Art: A luz como matéria na construção artística. Dissertação de mestrado. UNICAMP, Campinas, SP, AL87L, p.1:117. 2019.

Ferreira, Aurélio. 5a edição do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Regis Ltda, 2010.

Ferreira, Claudemir. Objeto em Construção. Apostila da Universidade Cruzeiro do Sul Virtual – EAD. 2018, p. 01:40. 2019.

Keller, Max. Light Fantastic. The Art and Design of Stage Lighting. Prestel Verlag. Munich. Berlin. London. New York, p.1:238. 2006.

Sirlin, Eli. La luz en el teatro, manual de iluminación. Teatro. Buenos Aires. Argentina. Atuel, v1, p.1:362, 2005.

Vieira, Ana. Espaço, poder e vigilância. O quotidiano nas Artes Plásticas, anos 80/90 (de Richard Serra a Pedro Cabrita Reis). Dissertação de mestrado. Universidade de Lisboa, Portugal. V. 1, p. 1:161. 2002

Villeres, Fernanda. A construção do espaço através da luz: uma leitura da obra de dan Flavin sob aspecto do Design da iluminação. Design e Arquitetura, USP, São Paulo, v719c, p. 1:156. 2011.


AGRADESCIMENTOS

Agradeço a minha filha Nina França, sua mãe Joana França. Beta e Renata pelo convite para participar deste trabalho. Jonathan Andrade diretor de enorme talento e escuta generosa. Guilherme Bonfanti por sempre incentivar a escrita de processos de criação de iluminação cênica. Guilherme Reis por realizar o festival Cena Contemporânea 2021 e possibilitar a apresentação do resultado deste espetáculo.

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