Autópsia - A continuação

Autópsia - Processo.

“ eu não tenho culpa desta crise! eu não posso pagar por isso com o sustento da minha família. Eu não posso ficar desempregado.”

Os acontecimentos encenados no espetáculo Autópsia 3 e 4, expõem em grande parte a impossibilidade do indivíduo de reagir diante da estrutura socio-econômica a qual ele está inserido. Estrutura essa que manipula de forma explicita os diretos e deveres e subjuga o potencial do indivíduo. Selecionando, apartando e excluindo as pessoas em situação de risco, desassistidas do mínimo recurso, dito humanitário, para uma vida digna.

Esse lugar estava apenas em imagens ma minha cabeça. Colocar como representação na cena, seria como direcionar o olhar do espectador ao que eu teria absorvido destes encontros com o grupo. Diante disso escolhi aprofundar a pesquisa em apresentar as situações e os personagens, mais do que apontar um lugar específico.

DESAFIOS ESTÉTICOS

Autopsia 3

Temos três lugares bem distintos neste ato.

Cena de uma casal, em casa, cuja a discussão é o problema do desemprego e a falta de recursos financeiros.

Dança do divino.

2º Uma cadeia. E todos os dilemas apresentados por cada personagem.

Os dois espaços são apertados e trazem uma presença crua. Está foi o mote par ao desenvolvimento do conceito da luz para o espetáculo. Mostrar a cena buscando alterar o mínimo o ambiente, valorizando a ação dramática e a expressão dos atores. Este era o desafio estético.

A sombra

Para compor a estética da luz para o espetáculo, buscamos utilizar a interferência da cenongrafia, para produzir em alguns momentos uma sombra das grades, que sempre lembrasse o lugar da clausura, do cerceamento.

Efeitos

O espaço para os depoimentos era indicado por um recorte quadrado profundamente focado e com uma luz dura, que representava a voz do comando.

Autopsia 4

Um único lugar, o lixão. Aqui a ideia de se aproximar da atmosfera do lugar foi mais utilizada na composição das cenas de luz. Nos atos anteriores não utilizamos fumaça mas neste ato estava claro que a sua utilização era necessária. Porque? Porque logo quando observei os atores no ensaio, quase todos eles usavam uma camiseta amarrada a cabeça para proteger do calor e da poeira. Então eu tinha ai, na presença do figurino e na expressão do corpo dos atores dos fatores que determinavam alguns caminhos a seguir. O Calor e a Poeira. Os odores não tínhamos representação física até que o diretor revelou que o “churumi” (vapor de odor insuportável) a noite no lixão é possível se ver sua cor azulada.

O público entra na sala e já temos uma cena inicial de dança, no meio do lixo. Os materiais estão espalhados por todo o palco. E no fundo vemos grandes sacos com mais lixo.

A poeira (névoa branca) + ocre (R10/R115)

Diálogos - Branco 3800K

Morte - Azul/BG

Depoimento

Aqui o depoimento é feito por um foco circular difuso, somente para delimitar o espaço para a atris. aqui o depoimento é horizontal e rompe com a parede imaginária que separa os atoes do público.

Efeitos

Os efeitos deste ato se concentram em compor uma estética que representasse recortes e iluminassem a cena do estupro e morte a personagem. Estes recortes bem estreitos, ampliam o campo de sombra e escuridão, acentuando apenas alguns movimentos, e revelando algumas partes dos corpos em ação.

MONTAGEM

A montagem e apresentação do espetáculo, foi realizada no Teatro 1 do CCBB - Brasíila. Nesta oportunidade apresentamos todos os atos montados pelo grupo. O desafio foi colocar um um único palco 4 montagem completamente distintas com uma cenografia que une todos os atos. Palets e Lâmpadas penduradas. A imagem do mapa de luz é a implementação dos 4 atos. Mesmo se tratando do Teatro do CCBB (um dos mais bem equipados da cidade) utilizamos 98% do material do teatro.

O espetáculo foi gravado em um console de luz do modelo Nomade ION ETC, o que permitiu recuperar as gravações anteriores dos atos 1 e 2 e organizar o CUE LIST dos 4 atos em um único console.

Quero deixar aqui um agradecimento especial aos técnicos de iluminação Manuela Menezes Maia, Valderci e Hugo Cortez que ajudaram a realizar este trabalho.

Participar deste processo de montagem para mim é mais que simplesmente criar um desenho de luz. Processos como este de revelação de uma camada de pessoas inseridas na sociedade, mas invisível aos olhos desta mesma, que a julga e criminaliza. Pessoas que não tem recursos para se constituir enquanto sociedade organizada, que não vê futuro, que enfrenta a vida e a morte no cárcere. A vida dura, a carne dura, o querosene no copo, as chagas de uma sociedade que está sangrando a cada dia.

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