Processo Criativo - Dois ou Três Dedos.

Neste ano de 2015, fui convidado pela Andaime Cia. de Teatro (Brasília DF.) para ajudar na criação do seu próximo trabalho. O objetivo era trazer a iluminação cênica, não só como um elemento a mais para compor a cena teatral, e sim dar estímulos visuais e sensoriais aos atores para fortalecer a criação da dramaturgia. Além disso, o desafio era de ocupar um espaço não convencional para a apresentação de um espetáculo teatral. Neste caso uma Casa.

O tema do trabalho aborda assuntos sobre tragédia, sexopatias, parafilias e criminologia. Durante os ensaios, debates e workshops a iluminação não se referia somente a escolha de equipamentos ou os ângulos a serem usados para provocar uma imagem visual, e sim, um estudo profundo do tema juntamente com a equipe de criação (atores, diretora, co-diretores, assistentes, preparador corporal, cenógrafo e composição musical). Trabalho árduo de descobrir e re-visitar leituras, filmes, artigos, fotos, entrevistas e depoimentos.

Para mim a proposta era experimentar o que uma luz (ou a ausência de luz) pode provocar no ator, dar a ele estímulos visuais e sensoriais, que ajude a compor sua performance. Como se trata de um trabalho de construção de uma dramaturgia original em um processo colaborativo, a presença diária nos ensaios se fazia necessária e de extrema importância, não só para a experimentação da luz, mas para entender e debater junto com a equipe os caminhos a serem trilhados nesta odisséia.

Uso esse termo Odisséia, para me referir ao processo como uma longa jornada empenhada pelos heróis que fazem parte deste grupo. A eles foi destinada uma missão. Buscar o desconhecido, o inenarrável, o que ainda não existe mas está no caos, o que necessita de um esforço Homérico para se transformar em realidade. Durante esta jornada que se estende a mim, passamos por vários desafios, dentre eles, o de se produzir pesquisa vertical sem recursos financeiros suficientes. Mas as dificuldades e barreiras que aparecem na trajetória do herói é que produzem a história por ele vivida. A sua capacidade de ir além de seus próprios limites, de reinventar, de criar.

Convido todos a participarem desta experiência teatral, dedicando Dois ou Três dedos de seu tempo para habitar conosco a casa, que aqui, não é o espaço de relações e histórias familiares, mas de subversões direcionadas à sexualidade e ao instinto humano propondo uma experiência de atração e repulsa com o público.

Dois ou três Dedos

Dois ou três Dedos

Dois ou três dedos

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